invólucros e duras penas.


eu amo as aves, mas não sei o que esperam de mim.

quando me abraça com asas de pardais e voa comigo para céus que eu jamais conseguirei tocar, pois não possuo asas nos pés.

quando, ás vezes, abraço seu torso penoso e espero carinhos que não vêm. olho para cima; vejo que está longe e não percebe que eu espero, no chão, agitado.

quando crava garras afiadas pelo meu corpo e revoa em disparada até crucificar os males que me tocavam suavemente o dorso nu.

quando plana solitário por ares que eu não sei de que nuvens são. e volta. sempre volta à terra, mas nunca do mesmo jeito.

eu amo as aves e todas elas em um.

e eu não sei o que esperam de mim.