a bailarina cagou. borrou-se por debaixo do colant. suas coxas torneadas molhadas pela pasta em tons de terra. a vergonha lhe escorria entre as pernas enquanto ela executava milimetricamente mais um espacate. pobre bailarina. mal seus dedos sobem na sapatilha de ponta e já é moça, já é velha. já não tem mais encanto, mais charme, mais dança. tornou-se cadáver de sua própria existência rítmica. balança o corpo e já não saem mais óperas, saem fezes.